Região norte capacita gestores escolares

CENTO e quarenta gestores escolares estão a ser formados desde segunda-feira, na província de Nampula, para serem dotados de conhecimentos e competência para o desenvolvimento de boas práticas de construção e gestão democrática para o sucesso dos alunos na escola.
O XI curso de formação, cuja duração será de um mês, envolve gestores das escolas públicas, privadas e comunitárias do Ensino Primário e Secundário e técnicos de educação a vários níveis das províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado.
O director provincial de Educação e Desenvolvimento Humano de Nampula, Júlio Mendes, desafiou os gestores para mudarem algumas fragilidades existentes nas escolas e olharem para a gestão escolar como pilar importante para a melhoria do sistema de ensino e aprendizagem.
Esclareceu que a formação dos gestores tem em vista responder à actual pressão que o sistema de Educação tem vindo a enfrentar, devido às exigências da sociedade, assegurando que a tarefa de mudança e melhoria do sistema de Educação deve ser resolvida pelo gestor da escola, desafiando os gestores para
combater o problema de ausência do professor na sala de aula.
ʺComo é possível que haja colegas que terminaram os cursos superiores no ano de 2015 e 2016, e mudam de carreira e nível, enquanto outros que estão na escola há oito ou nove anos não o fazem, estando já alguns próximos da reforma”, questionou Mendes, apontando a culpa aos gestores.
O director do Instituto de Formação de Professores de Marrer em Nampula. Herculano Nicorosse, mostrou-se optimista e espera que através da experiência a adquir durante a formação poderá melhorar o desempenho da escola.

Demanda do Ensino Secundários satura escolas

Escola Secundária Joaquim Chissano, sita no bairro de Albazine, é exemplo daquela realidade. Por exemplo, no segundo ciclo, ou seja, 11ª e 12ª classe, cada sala acolhe em média cerca de 70 alunos. No primeiro ciclo, isto é, da 8ª à 10ª classe, a média de alunos é de 50 por turma.
Até o ano passado, aquela instituição leccionava apenas o segundo ciclo do Ensino Secundário e algumas turmas da 9ª classe. Contudo, dada a demanda verificada na 8ª classe, a Direcção da Escola Secundaria Joaquim Chissano teve a orientação de reintroduzir o primeiro ciclo para acomodar mais estudantes.
“Com apenas 35 salas de aulas, houve necessidade de se criar meios alternativos para albergar os alunos. Tivemos de arranjar mais algumas salas de aula numa escola primeira próxima para acomodar os ingressos”, explicou Teles Sabão, director daquela unidade escola.
Outra alternativa adoptada pela escola para não deixar de fora nenhum aluno foi o encaminhamento dos mesmos para o ensino à distância. “Muitos pais e encarregados de educação aprecem à procura de vagas e dada a saturação no sistema presencial alguns optaram por matricular os seus filhos de 13 e 14 anos no ensino à distância. Temos tido bons resultados”, revelou.
Na Escola Secundaria Hitacula, também localizada no bairro de Albasine, a realidade é mais penosa. Há turmas com 85 alunos em média. Com oito salas de aulas, o exercício de ensino e aprendizagem é realizado com muito sofrimento, pois dependendo da classe e consoante as disciplinas um professor pode leccionar cinco a seis turmas.
A justificação dada pelo director-adjunto pedagógico daquela unidade escolar. Manuel Dimande, é a mesma: a demanda do Ensino Secundário no distrito (KaMovote) é grande. ʺNeste distrito temos apenas duas escolas de Ensino Secundário e uma técnica media. Em contraposição, temos multas escolas primárias. Todos os graduados da 7ª classe são encaminhados para as três escolas que, por sua vez, devem criar condições de absorver a todos”, referiu Manuel Dimande.
Decorrente deste cenário, a escola está a aumentar salas de aula socorrendo-se do Fundo de Escola e da contribuição dos pais e encarregados de educação que contribuíram com 100 meticais por educando no acto da matrícula.
A Escola Técnica de Albasine tem sido outra das alternativas para acomodar alunos graduados da 7ªclasse. A demanda de vagas também é elevada, sendo que a frequência é de 75 de alunos por turma.
ʺESTRELA VERMELHA” COM SALAS VAZIAS
Entretanto, a realidade que se assiste nas escolas localizadas na zona centro da escola que se encontram nas zonas em expansão.
Poe exemplo, na Escola Secundaria Estrela Vermelha ainda existe espaço para albergar mais alunos. ʺNeste momento temos sete salas de aula que não estão a ser usadas por falta de alunos”, disse Gilberto Reis, director da escola.
Segundo o director, aquela realidade deve-se ao factode muitos jovens e adultos em idade reprodutiva tenderem a se deslocar do centro da cidade para as zonas de expansão, aliada à escassez de transporte de algumas zonas periféricas para o centro da cidade.
ʺParte considerável de alunos matriculados na nossa escola provem dos bairros localizados fora da cidade, nomeadamente Albasine Laulane e Magoanine”, explicou Reis.
O resultado deste cenário não tardou a chegar. ʺAinda na segunda semana de aulas recebemos 10 pedidos de transferência e pela tendência e percebemos que ainda vamos receber mais, visto estarmos ainda no primeiro trimestre do ano”, explicou, tendo acrescentado que ʺeste facto mostra que em termos estatísticos pelo menos um aluno por dia submete pedido de transferência alegando a distancia da escola para a sua nova residência”.
Relativamente aos novos ingressos, Reis socorreu-se das listas enviadas e pelas escolas primeira para mostrar que há escolas que chegaram a enviar um aluno para afectação. Foram os casos da Escola Primaria Completa da Coop, Escola Primaria Completa do Alto Maé, Casa da Munhuana, Escola Primeira Filipe Samuel Magaia, entre outras.
Enquanto isso, das zonas em expansão como o distrito municipal Nhlamankulu, por exemplo, onde não existem problemas de transporte, a Escola Secundaria Estrela Vermelha recebeu cerca de mil graduados.
ʺFRANCISCO MANYANGA” COM 45 ALUNOS POR TURMA
A nossa reportagem visitou a Escola Secundaria Francisco Manyanga. A realidade não difere muito da Escola Secundaria Estrela Vermelha, que conta com uma média de 45 alunos por cada sala de aula.
Segundo o nosso entrevistado, até a primeira semana de aulas a escola ainda estava a realizar matriculas.
ʺProrrogámos o tempo porque temos de cumprir a segundo a qual todos os alunos devem estudar e fizemo-lo confortavelmente ”, explicou Orlando Dimas, director da ʺFrancisco Manyanga”.
Acrescentou que o número de alunos inscritos para o ano lectivo de 2017 ultrapassou ligeiramente ao registado no ano passado. Contudo, não foi necessário alterar as condições preparadas para o arranque das aulas.
Outro facto relado pelo director daquela instituição do Ensino Secundaria são os pedidos de transferência de alunos. À semelhança da ʺFrancisco Manyanga” também recebeu 10 pedidos de transferência de alunos. A mudança de residência é um dos motivos invocados.
De referir que só no primeiro trimestre do ano passado a escola autorizou a transferência de 39 alunos.

Mais de trezentas salas destruídas na Zambézia

Cerca de 300 salas de aulas foram totalmente destruídas pelas chuvas na província de Zambézia, o que afectou 16.398 alunos e 194 professores.
​São salas de aulas das escolas primárias que funcionam nos distritos de Gilé, Mopeia, Morrumbala, Namarroi, Pebane, Nicoadala, Maganja da Costa e Milange.
​Dados em nosso poder dão conta de que só no distrito de Namarroi foram destruídas totalmente oito escolas primarias completas, correspondentes a 24 salas de aulas.
​A Direcção Provincial da Educação refere que estes números podem ser inferiores porque, devido ao corte da corrente eléctrica, há dificuldade de comunicação telefónica entre a cidade de Quelimane com o resto da província.
​Para fazer face a este e outros problemas provocados pelas chuvas, a Direcção Provincial da Educação na Zambézia aprovou um plano que consiste na edificação de salas provisórias, logo que as chuvas abrandarem.
​A sua distribuicao pelos distritos decorre desde Dezembro passado. Ate ao momento pelo menos cinco distritos já receberam o material, nomeadamente, IIe, Gurué, Inhassunge, Morrumbala, Quelimane e Nicoadala.
​Em relação aos restantes distritos, o processo de distribuição poderá prosseguir depois de as chuvas abrandarem.
​Falando sobre o material que pode ser perdido por causa das chuvas, Mahomed Ibraimo, chefe do departamento pedagógico na Zambézia, disse que a sua direcção tem um stock de livros suficiente para responder às necessidades das escolas da província.
“Neste momento, contamos com um stock de 152.600 livros nos nossos armazéns para atender as necessidades dos distritos.
Achamos que este número é suficiente. A nossa preocupação é as salas de aula que foram destruidas”. Disse Mahomed Ibraimo.

Meta de matriculados não foi alcançada

Várias escolas dos diferentes pontos do país ainda não conseguiram matricular o número de alunos que estava previsto para este ano lectivo, cuja abertura está prevista para o próximo dia 6 de Fevereiro.

As razoes são varias. Alguns dizem que os pais ou encarregados de educação deixam tudo para a última hora, outros referem que alguns pais viajaram com os seus filhos e que só poderão fazê-lo ao regressarem.

​Em alguns pontos do país, o processo foi comprometido pelas chuvas constantes que caem a nível nacional, assim como nos países vizinhos.

Face à situação prevalecente, as direcções provinciais da Educação e Cultura intuíram as escolas locais para receberem os alunos que aparecerem durante o mês de Fevereiro, sobretudo os da primeira classe.

Por exemplo, a província de Maputo até segunda-feira passada, dia 19 de Janeiro, tinha matriculado apenas 35.018 alunos, dos 54.391 previstos para a primeira classe. Na sexta classe, foram inscritos 20.676, dos 42.542 planificados.

Na oitava foram inscritos 7430, dos 14.429 alunos que estavam agendados, e na décima primeira classe matricularam-se apenas 1535 alunos, dos 3879 agendados.

Na província de Nampula, dos 242.422 alunos que estavam planificados para a primeira classe fora inscritos cerca de 215.773 e, na sexta classe, foram matriculados 41.180, dos cerca de 61.325 planificados.

Na oitava classe, foram inscritos 17.438, dos 26.047 alunos perspectivados, e na décima primeira matricularam-se 7860 alunos, dos 10.451 agendados.

A província de Gaza previa matricular cerca de 118.527 alunos nas classe iniciais como primeira, sexta, oitava e décima primeira, destes até ao momento foram inscritos apenas 70.952, dos quais 51.127 alunos na primeira classe, 11.390 na sexta, 6148 na oitava e 2287 na décima primeira classe.

De referir que o Governo decidiu prorrogar o prazo de matrículas para 5 a 20 de Janeiro corrente, a fim de matricular o maior número possível de alunos.

As aulas iniciaram

ARRANCA hoje, em todo território nacional, o ano lectivo/2015, depois de as cerimónias centrais terem ocorrido na sexta-feira na capital provincial do Niassa, Lichinga, sob orientação do Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Jorge Ferrão.

Este ano, segundo aquele dirigente, mais de seis milhões de crianças vão ter acesso à escola, apesar de em algumas províncias do centro e norte, nomeadamente Zambézia, Nampula e Niassa, principalmente, as enxurradas que fustigam estas regiões terem destruído várias salas de aula e feito deslocar numerosas crianças em idade escolar.

Antes e depois de presidir às cerimónias centrais de abertura do ano lectivo o ministro da Educação e Desenvolvimento Humano visitou algumas escolas da cidade de Lichinga e do distrito de Sanga, onde interagiu com os professores e gestores dos respectivos estabelecimentos de ensino para, segundo afirmou, inteirar-se das realizações, problemas e do grau de cumprimento das metas estabelecidas.

De referir que em todas as visitas o ministro esteve sempre acompanhado pelos responsáveis da Vodacom, Televisão de Moçambique, UniLúrio e Alcance Editores, instituições que, juntamente com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, estão envolvidos num programa denominado “Moldando Mentes”, que tem como principal objectivo desenvolver o gosto pela leitura.

No âmbito do mesmo programa, milhares de livros foram doados por várias instituições e singulares integrados no chamado “Clube dos Amigos da Educação”.

No seu discurso de abertura, Jorge Ferrão advertiu que não vai tolerar o absentismo dos professores e gestores escolares, convidando aos que não se sentem melhor enquadrados a solicitarem a sua demissão. “Exigimos maior responsabilidade aos professores. Todos sabemos que existem problemas de progressões nas carreiras, atrasos de vistos do Tribunal Administrativo e salários em atraso mas isto não pode – e nem deve – ser justificação para que não estejamos nas escolas”, advertiu Ferrão, informando que estes problemas devem ser resolvidos com os professores e gestores dentro dos estabelecimentos de ensino e nunca enveredar pela via do absentismo.

Revelou que em 2015 mais de oito mil professores novos vão ser integrados no ministério que dirige. Para o ministro, estes profissionais novos precisam de encontrar um ambiente de paz, de solidariedade e, principalmente, de profissionalismo e competência.

“Gostaria de ver, este ano, todos os professores com o seu fardamento e com a assiduidade registada pelos directores das escolas, cabendo a este último a responsabilidade de administrar, controlar e fazer cumprir as decisões emanadas do Ministério com o apoio das direcções provinciais”, pediu aquele dirigente, ao mesmo tempo que aconselhava a sociedade civil a prestar mais apoio ao sector que dirige, ao invés de criticar sem apresentar soluções que contribuam para a mudança da situação que se vive actualmente no sector da Educação.

Num outro desenvolvimento, o titular da pasta da Educação e Desenvolvimento Humano reconheceu a necessidade de conferir às escolas uma autonomia para resolverem os problemas básicos de operacionalidade, tendo, para isso, dado a conhecer que “este ano o ministério que dirige fará tudo para descentralizar os orçamentos e colocar uma parte destes nas escolas”.

Outras questões referidas pelo ministro durante o seu discurso de abertura do ano escolar têm a ver com a necessidade de a sociedade civil se solidarizar para com as vítimas das enxurradas e de Chitima, a qualidade da educação, responsabilização dos professores e gestores das escolas e a produção escolar como forma de ensinar a criança a cuidar da machamba. A permanência da rapariga na escola até completar os ciclos desejáveis, a participação dos pais e encarregados de educação nas actividades da escola, a alocação de carteiras em todas as salas de aula, a participação das empresas no ensino e aprendizagem em Clubes dos Amigos da Educação foram outros aspectos mencionados por Ferrão.

(Retirado do jornal Notícias)

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