discount

Nós os do Macurungo

Adelino Timóteo

Sinopse

Em “Nós os do Macurungo”, Adelino Timóteo, nesta lide de escritor desassumido, transmite-nos as suas memórias ardentes e ternas dos verdes anos da infância vivida e convivida no tão característico Bairro beirense do Macurungo. E o Macurungo aparece como esplendorosa síntese e amostra de todo o País, naquele momento fundamental da sua História: mentalidades, hábitos, tipos.
Dá-se-nos aqui a reviver um período particularmente dramático da História de Moçambique, o dos anos 1974-1992: aqueles tempos coléricos e pestíferos… anos 80.
O Macurungo vai-se tornando o seixo lançado para dentro do lago, que vai gerando ondas e mais ondas concêntricas de humanidades e da Humanidade. “Nós começámos por nascer e crescer num mundo que não era mundo, mas pela sua artificialidade, já que mais tarde aperceberíamos que o mundo que nos rodeava não era de todo urbano, não era de todo casas de alvenaria. Era um mundo injusto, que fazia de Macurungo uma ilha, cercada por subúrbios.”
Apesar de uma narração com um elevo muito autobiográfico, este livro resgata a memória colectiva de um período sujeito à amnésia da sociedade. Num exercício lúdico e satírico, transcorrem por este livro várias personagens. De entre elas o secretário do bairro, o pai de kwawenda, o pai de Queo e o empregado doméstico do narrador. Mas a mãe do narrador destaca-se, pela sua imponente estrutura moral e espiritual. “E como se tal fora hoje, vejo a minha mãe descalça, correndo, quase na última coluna do pelotão, a língua de fora, quase desmaiando.”
Mas o fundamento da sua vocação de escritor está na máquina de escrever que era do pai: “A máquina de escrever do meu pai era um brinquedo de luxo. Foi o início. Só esta máquina de escrever é que justifica o meu apego à cidade, aos Homens, à evasão da realidade. Minha mãe fala da relação de intimidade entre o meu pai e a máquina de escrever que era dele.”

Manuel Ferreira