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O eco das sombras

Carlos dos Santos

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Sinopse

A teia infinita de pontos luminosos que povoam o firmamento, tanto quanto o imaginário e as mitologias de todas as civilizações que na Terra já medraram, é feita de torrentes de luz que foi irradiada por estrelas longínquas há milhares e milhões de anos e que, uma vez liberta das amarras que a prendiam aos corpos celestes que a geraram, viajou ao longo de distâncias abismais durante todo esse tempo até vir atear o fogo da curiosidade nos nossos olhos e incendiar-nos o pensamento com interrogações. E, depois, sem paragens, prossegue o seu caminho para além de nós, pela eternidade adentro. Porém, muitas dessas fogueiras siderais que vemos refulgirem esplendorosas no céu nocturno que se espraia sobre as nossas cabeças já não emitem luz. Há muito que explodiram e se apagaram. Mas, nós continuamos a vê-las flamejar tal como elas eram nesse tempo distante em que ainda crepitavam. Para todos os efeitos, essas estrelas que já morreram, continuam a iluminar o Universo.

E ao pensamento, essa outra torrente brilhante, tão intangível quanto a luz mas que, tal como ela, alumia as entranhas mais ocultas do Universo, o que é que lhe acontece quando a fonte que o emana implode e a corrente se quebra? Dissipa-se num piscar de olhos, nesse momento fatídico, como se nunca tivesse existido, ou, à imagem e semelhança da luz das estrelas, perdura por toda a eternidade, continuando a pensar o Universo?