Feira do Livro de Maputo homenageia Juvenal Bucuane no Tunduru

A edição deste ano da Feira do Livro de Maputo, de facto, ainda não começou, no entanto já há ecos a anunciarem novidades.>>

A edição deste ano da Feira do Livro de Maputo, de facto, ainda não começou, no entanto já há ecos a anunciarem novidades. Uma dessas novas, nem mais, é homenagem ao escritor Juvenal Bucuane, que os organizadores e parceiros do evento vão levar a cabo no segundo dia da Feira, 7 de Outubro, numa cerimónia que irá decorrer no Jardim Tunduru, em Maputo.

A homenagem ao autor de Xefina surge para premiar a carreira literária iniciada, com alguma seriedade, na época do surgimento da revista Charrua (1984), que teve um papel assinalável no surgimento de uma geração de autores, hoje referências nacionais e internacionais ao nível artístico. Paralelamente, o gesto do Conselho Municipal de Maputo, organizadora da Feira, impõe-se como uma forma de celebrar de forma simbólica os diversos livros publicados por Juvenal Bucuane, quer em prosa quer em poesia. Com isso, o objectivo é claro: contribuir para a valorização dos autores moçambicanos ao mesmo tempo que se divulga o seu repertório literário. Por isso mesmo, as obras de Juvenal Bucuane estarão à venda a preços promocionais no Tunduru, ao longo dos três dias da Feira.

Ora, reagindo previamente à intenção de a Feira do Livro de Maputo o homenagear, Juvenal Bucuane confessou ter sido encontrado de surpresa, no caso, uma surpresa confortante e estimulante. E revela: “esta premiação que se aproxima faz-me pensar que há pessoas atentas ao meu trabalho literário, e gostaria que toda a gente que faz literatura com convicção merecesse um reconhecimento como este. É um gesto que nos marca, motiva e dá-nos uma responsabilidade importante para continuarmos neste percurso. Entendo este reconhecimento como prova de que o Conselho Municipal está atento aos seus munícipes”.

Ao mesmo que se referia à homenagem a poucos dias de acontecer, Juvenal Bucuane aproveitou a oportunidade para deixar ficar um conselho para os jovens autores. “Quem tiver aspirações de ser escritor, primeiro, deve investir num trabalho árduo e sério, o que passa por ler e escrever muito. Depois, a segunda ferramenta reside na paciência e na humildade”, afirmou o autor, assumindo que o país tem potencial humano jovem para gerar bons escritores no futuro. “A nossa juventude vai assegurar a literatura e dar visibilidade ao nosso país. Digo isto porque convivo muito com os jovens e leio o que eles escrevem”. Enquanto os jovens escritores passam pela forja, a que acreditar que “nós, os autores, escrevemos para a beleza e para a compreensão das coisas”, filosofou. Para que essa paixão não se perca, sugere Juvenal Bucuane, o país deve ter mais eventos como a Feira do Livro de Maputo, promovidos por várias instituições em diferentes momentos, porque a literatura merece essa valorização importante para o país e para o mundo.

Da Charrua a O Fundo pardo das coisas, um autor com três décadas de carreira

Juvenal Bucuane nasceu a 23 de Outubro de 1951, em Xai-Xai, província de Gaza. É Licenciado em Linguística pela, agora, Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e membro efectivo da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), onde foi Secretário-Geral. Foi Coordenador da Revista “Charrua” e, mais tarde, coordenou a página « Ler e Escrever » do jornal Domingo. A sua produção literária está dispersa em vários jornais e revistas, casos da Tempo, Notícias, Diário de Moçambique, Charrua, Forja, Diário de Sofia (Bulgária), Unimed e Diário de Pernambuco (Brasil). Nos últimos 32 anos publicou, entre vários livros: A Raiz e o Canto; Xefina; Segredos da Alma; Limbo Verde; Kumbeza; Crendice ou crença e O fundo pardo das coisas. Durante a homenagem que irá decorrer na Feira do Livro de Maputo vai ser atribuído uma das árvores do Jardim Tunduru, numa iniciativa que pretende fazer daquele espaço um jardim dos escritores. Desta e das futuras edições da Feria do Livro de Maputo o poeta e escritor espera que o evento continue a consolidar-se como um espaço privilegiado para a divulgação dos livros e dos escritores nacionais, pois assim poderão aparecer mais autores que, tendo 30 anos de carreira, sintam-se satisfeitos e valorizados.

Sobre a Feira do Livro de Maputo

A Feira do Livro de Maputo irá acontecer nos dias 6, 7 e 8 de Outubro. O evento envolve actividades como: mesas redondas, debates, lançamentos de livros, declamação de poesia, canto, teatro, artesanato, artes plásticas, actividades infanto-juvenis com contadores de histórias, rodas de leitura, exposição e venda de livros. Os objectivos da feira passam por aproximar o público às obras e ao conhecimento que as mesmas preservam; criar intercâmbio entre escritores nacionais e estrangeiros e promover a cidadania nacional.