Mais de 600 alunos privados de exames por causa da instabilidade política

Mais de 600 alunos da segunda classe do distrito de Zumbo, província de Tete, no centro de Moçambique não realizaram exames anuais>>

Mais de 600 alunos da segunda classe do distrito de Zumbo, província de Tete, no centro de Moçambique, não realizaram exames anuais, devido à situação de instabilidade política e militar na região, anunciaram nesta segunda-feira as autoridades locais.
Jorge Vilanculos, director dos Serviços Distritais de Educação Juventude e Tecnologia de Zumbo, afirmou à Rádio Moçambique que os pais e encarregados de educação destes alunos fugiram para a vizinha Zâmbia, em resultado das ameaças de confrontações entre Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) e as forcas de defesa e segurança.
O responsável local deste distrito fronteiriço disse que os alunos pertencem às localidades de Cassinga e Mbadua e que já enviou equipas de sensibilização para o local para falares com as lideranças comunitárias.
A instabilidade política e militar tem levado ao encerramento de escolas e faltas dos alunos nas regiões onde há registo de confrontações entre forças de defesa e segurança e Renamo, nomeadamente em Tsangano e Moatize, província de Tete, e Morrumbala, Zambézia.
Moçambique vive momentos de incerteza política, provocada pela recusa da Renamo em reconhecer os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro do ano passado e pela sua proposta de governar nas seis províncias onde reclama vitória, sob ameaça de tomar o poder pela força.
As últimas semanas têm sido marcadas por confrontos entre as partes e foi iniciada uma operação policial de recolha de armas da Renamo em vários pontos do país, num dos momentos de maior tensão política e militar desde o Acordo Geral de Roma, 16 anos da guerra civil.
Na quinta-feira passada, o Presidente Filipe Nyusi, pediu, porém, às forcas de defesa e segurança a optarem pela ponderação no desarmamento do braço militar da Renamo, maior partido da oposição, e evitarem a retirada compulsiva das armas.
No dia seguinte, o ministro do Interior, Basílio Monteiro, disse que as armas fora do controlo do Estado não representam ameaça total à estabilidade do país e o Governo poderá concluir que o processo compulsivo se torne inútil se as pessoas as entregarem voluntariamente.
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, não é visto em público desde o dia 09 de Outubro, na sequência do cerco, desarmamento e detenção, por algumas horas, da sua guarda, na sua residência na Beira, centro do país.
Fonte:Jornal Magazine,24 de Novembro de 2015.Pág.26