O desafio deve ser alcançar a excelência

Passar de classe com notas excelentes deve ser preocupação de todos intervenientes no processo >>

Passar de classe com notas excelentes deve ser preocupação de todos intervenientes no processo de ensino-aprendizagem, por ser um indicador de que o sector de educação está a produzir quadros com qualidade.

O desafio, comungado por vários segmentos da sociedade, foi lançado aos directores de escolas secundarias pelas activista social e antiga ministra da educação e cultura, Graça Machel, na estreia do seminário de capacitação de gestores da educação que decorre desde segunda-feira em Maputo. A ideia ѐ consensual para todos, mas com um senão para alguns que consideram que ela deve salvaguardar o mérito daqueles alunos que transitam de uma classe para outra com notas positivas, entretanto consideradas intermédias.

Dirigentes do sector de Educação ouvidos pela nossa Reportagem defendem que o estabelecimento de notas mínimas para passagem ѐ algo a ser observado pois, se um aluno está em condições de provar na pratica o seu mérito, deve ter a sua passagem garantida.

António Grachane, director de educação da cidade de Maputo e professor de carreira há mais de 30 anos, define a excelência como uma base do desenvolvimento tecnológico e científico que não se compadece com mediocridade no sistema do ensino.

‛‛Temos que investir no conhecimento e o aluno tem que saber para passar. O aluno hoje só quer passar e passar nem sempre significa saber. Então, esse aluno excelente tem que aparecer a dever ser cultivado com muito trabalho até se chegar lá’’, disse.

Palmira palma pinto, directora de educação e Desenvolvimento Humano na província de tete, defende que não ѐ somente o resultado negativo que deve chamar a atenção do professor ou dos gestores das escolas pois, mesmo perante notas altíssimas, deve haver espaço para questionamento no sentido de se aferir o mérito do aluno e a maneira como o ensino ѐ proporcionado.

‛‛Eu comungo a ideia da mamã Graças e sempre nos meus discursos falo disse.

Agora vou contar a minha experiencia quando era directora de uma escola onde mandei bloquear notas extremamente altas de certo aluno para perceber como nós, gestores e professores, estávamos a conduzir o professor. Os bons e os maus resultados também chamam a atenção e são um indicador a ter em conta’’, disse António cunica, das províncias de gaza, concorda com a excelência como um pressuposto desejado por todos no processo de produção do conhecimento, mas afirma que nem todos os alunos têm que ter o mesmo nível de observação da matéria para poderem passar de classe com notas altíssimas, razão pela qual há notas mínimas estabelecidas para a passagem. ‛‛ѐ Preciso respeitarmos a nota 10, pois há aquele aluno que tendo passado com 10 tem mérito e justifica toda a actividade a posterior. A excelência não pode ser vista apena sem termos de números astronómicos (18, 19 valores), mas uma nota positivas que justifique competência’’ .Disse.

Conta que na sua experiencia já viveu muitas situações de alunos que não eram de notas extraordinárias, mas passavam de classe e justificam as suas competências.

O representante da província do Niassa, Amado Assique, defende que ter cientistas do amanhã possa necessariamente por ter alunos, hoje, com conhecimento suficiente para saber interpretar o que aprenderam. ‛‛se esse 9,5 arredondado para dez, traduzidos na prática significa saber alguma coisa que ѐ a competência, então o 9,5 deixa de ser problema, mas se ѐ um 9,5 arredondado só para dizer que passou não vale a pena. Queremos alunos que saibam ler, escrever e contar pelo menos até 20, falo das primeiras classes, por exemplo’’, exemplificado.

Fonte:Jornal noticia. 24 De Fevereiro 2016. Pág. 5