Estevão Chissale o encanto dos jogos escolares

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A CRITICA diz que os jogos Desportivos Escolares recentemente realizados em Pemba, capital de Cabo Delgado, para lá do aspecto meramente desportivo e de convívio entre delegações, ressaltou à vista a organização do evento, bastante conseguida.
Destaca-se, entre os condimentos organizativos, a cerimonia de abertura, com a ginástica rítmica feita com base em danças tradicionais locais, o Hino Nacional executado por instrumentos, outrossim, da cultura autóctone, o facto de o Chefe do Estado ter feito não apenas a tabelinha mas sim alinhado a jogar durante cerca de cinco minutes e a mensagem dos meninos, lida pelo infante Estevão Severiano Chissane, vindo do distrito central de Macomia, da província anfitriã.
A mensagem dos meninos participantes dos jogos Escolares, fora o facto de ter sido lindamente elaborada, com um conteúdo de adultos emprestado às crianças, com passagens oportuníssimas, encontrou em Estevão Chissale, de 12 anos de idade, aluno da 9.ª classe na Escola Secundaria Comunitária “Padre Paulo”, em Macomia, o melhor intérprete e digno representante dos seus colegas e não só.
Estevão Chissale contrariou as conclusões generalistas, segundo as quais actualmente os alunos atingem níveis relativamente superiores aos primários sem saber ler, escrever e contar. O menino leu como a maioria ali presente, incluindo adultos de níveis exponenciais, não consegue.
Emprestou ao momento uma solenidade fora do comum, com a sua dicção raríssima nos tempos que correm, espaçando as ideias feitas parágrafos com olhar fixo às centenas de milhares de espectadores que se achavam no Estádio Municipal de Pemba e, de cada vez que se pensava que a seguir seria o percalço do leitor, afinal, seguia-se uma frase bem pontuada que terminava num ponto que o ego dos presentes acentuava.
Todos boquiabertos, ante um à-vontade de quem não fazia pela primeira vez, quiseram saber donde vinha o petiz, a classe que frequentava, os seus pais e como foi descoberto. Vieram as respostas, umas acertadas outras falsas e inventadas, mas ficou assente a ideia de que Estevão Chissale não parece dos tempos vigentes ou pode ser verdade que, apesar de tudo, o ensino não está tao mal, ou ainda que os pais podem ser factor quase determinante para a aprendizagem dos seus filhos.
O “Noticias”, inconformado, viajou cerca de 200 quilómetros para encontrar Estevão Chissale no seu meio, nem sequer daqueles que a preguiça justifica como sendo de abreviatura ou “a moda”, em que o “S”, é substituído com o “X”.
Encontramo-lo a tomar o pequeno-almoço. Serviu-nos e aceitamos, ao mesmo tempo que as nossas perguntas desfilavam.
Fonte: Jornal Noticias Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015. Pág.2